Os cinco pilares

As cinco práticas que estruturam a vida muçulmana: o testemunho de fé, a oração diária, o zakat, o jejum do Ramadã e a peregrinação.

Se os seis artigos de fé são o que o muçulmano sustenta, os cinco pilares são o que o muçulmano faz. São obrigações, não sugestões, e tomam a mesma forma em Jacarta e em Casablanca. É boa parte da razão pela qual muçulmanos de culturas sem nenhum parentesco reconhecem a prática uns dos outros de imediato.

Os cinco, um a um

O testemunho, chahada. Dizer, com convicção, que nada merece adoração além de Deus e que Muhammad, que a paz esteja com ele, é o mensageiro de Deus. Dito uma vez com entendimento, torna a pessoa muçulmana. Também é hábito diário: ao acordar, antes de dormir e dentro de cada oração. A palavra árabe significa dar testemunho, o que sugere depoimento prestado e não fórmula recitada.

A oração, salat. Cinco vezes por dia, ao amanhecer, ao meio-dia, no meio da tarde, ao pôr do sol e à noite. A oração tem uma forma fixa de ficar em pé, inclinar-se, descer com a testa até o chão e sentar-se, com recitação do Alcorão e palavras de louvor e pedido. Leva poucos minutos e pode ser feita em qualquer lugar limpo: em casa, no trabalho, na beira da estrada. Rezar em grupo é preferível, e todos se voltam para Meca, onde fica a Caaba. O efeito prático é que o dia de trabalho fica cortado em pedaços por algo que não tem relação nenhuma com o trabalho, o que é bem perto do objetivo.

A parcela obrigatória, zakat. Uma vez por ano o muçulmano entrega 2,5 por cento do patrimônio que manteve por um ano completo: poupança, ouro, rebanho, produção agrícola, mercadorias. Repare que é patrimônio, não renda. Vai para os pobres, os necessitados e os endividados. Os autores muçulmanos insistem que isso não é caridade no sentido de um gesto bondoso. A ideia por baixo é que a riqueza pertence a Deus e está em confiança com quem a detém, então a parcela é devida. Dar além disso tem outro nome, sadaqa, e é voluntário.

O jejum, saum. Durante o Ramadã, nono mês do calendário lunar muçulmano, adultos saudáveis não comem, não bebem e não têm relações sexuais entre a primeira luz e o pôr do sol. Como o calendário é lunar, o Ramadã caminha pelas estações, então o jejum é longo em alguns anos e curto em outros. As famílias comem antes do amanhecer e quebram o jejum juntas ao anoitecer. As noites trazem longas orações em congregação, com recitação estendida do Alcorão. Quem está doente, viajando ou impedido por outra razão está dispensado. O mês termina com o Eid al-Fitr, um dia de visitas, presentes e alívio considerável.

A peregrinação, hajj. Uma vez na vida, todo muçulmano adulto que tenha condições físicas e financeiras viaja a Meca e cumpre um conjunto fixo de ritos ao longo de vários dias. Milhões chegam a cada ano, de todo lugar aonde o islã chegou. Vestem panos simples e sem costura, o que apaga a diferença visível entre um trabalhador braçal e um ministro, e refazem atos associados a Abraão e a seu filho Ismael, que construíram a Caaba juntos. Quem não pode pagar a viagem nem fazê-la com segurança não tem obrigação nenhuma, e não há penalidade associada.

O que os cinco têm em comum

Cada um custa algo de verdade: tempo, dinheiro, apetite, conforto, uma viagem até o outro lado do mundo. Nenhum pode ser cumprido por procuração, e nenhum exige um clero para administrá-lo, porque o islã não tem sacerdócio entre a pessoa e Deus. O imame conduz a oração e muitas vezes ensina, mas não ocupa cargo sacramental e não pode absolver ninguém.

Os muçulmanos costumam aprender os pilares junto com os seis artigos de fé, e as duas listas devem trabalhar uma sobre a outra. Crença sem prática é considerada rala; prática sem crença é considerada vazia.

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