Perguntas frequentes

Respostas diretas ao que se pergunta primeiro sobre o islã: Allah, Jesus, sharia, violência, mulheres e a presença muçulmana lusófona.

São as perguntas que mais aparecem. Respostas diretas.

Allah é um deus diferente?

Não. Allah é a palavra árabe para Deus, e cristãos e judeus de língua árabe também a usam: abra uma Bíblia em árabe e ela aparece onde uma Bíblia em português diz Deus. Os muçulmanos se entendem como quem adora o Deus de Noé, Abraão, Moisés e Jesus. Em português também se escreve Alá. A forma árabe sobrevive nos textos muçulmanos porque não tem plural nem feminino, o que fecha o sentido mais do que a palavra portuguesa consegue.

Os muçulmanos creem em Jesus?

Sim, e isso costuma surpreender. Jesus, Issa em árabe, é um dos maiores profetas do islã e o Messias. Os muçulmanos creem que ele nasceu de Maria sendo ela virgem, que foi um nascimento milagroso, e que ele curou doentes e ressuscitou mortos com a permissão de Deus. Maria dá nome a um capítulo do Alcorão. A separação em relação à crença cristã está na divindade: para os muçulmanos, Jesus foi profeta e servo de Deus, e não Deus nem filho de Deus, e voltará antes do fim dos tempos. Falar dele com respeito é obrigatório, e não existe versão do islã em que menosprezá-lo seja aceitável.

O que é a sharia?

Sharia é o conjunto da orientação que os muçulmanos creem ter recebido de Deus: como rezar, jejuar, casar, comerciar, herdar, comer, tratar pais e vizinhos. Quase tudo isso é culto privado e conduta pessoal, e um muçulmano em São Paulo ou em Lisboa segue essa parte sem que um tribunal apareça na história. Os estudiosos muçulmanos descrevem a finalidade dessa orientação como a proteção de cinco coisas: religião, vida, razão, bens e família. A discussão pública sobre sharia costuma girar em torno de leis penais de um punhado de países, uma fatia pequena e muito contestada de um assunto grande, e não é o que passa pela cabeça de um muçulmano quando ele usa a palavra.

O islã permite violência contra civis?

Não, e as fontes são específicas em vez de vagas. Muhammad, que a paz esteja com ele, proibiu matar mulheres e crianças na guerra, proibiu quebrar tratados, proibiu o excesso e proibiu punir pelo fogo. Disse que quem mata alguém protegido por um pacto com os muçulmanos não sentirá sequer o cheiro do Paraíso, e colocou o homicídio como o segundo pecado mais grave. Atentados e ataques a pessoas que estão tocando a vida rompem a lei islâmica em vez de expressá-la, seja qual for a motivação alegada.

E as mulheres?

O Alcorão diz que quem faz o bem, homem ou mulher, recebe a mesma recompensa. A lei islâmica deu à mulher o direito de possuir e administrar bens em seu próprio nome, de tocar um negócio, de herdar por cotas fixas, de pedir divórcio e de manter o próprio sobrenome. Perguntado sobre quem mais merece a boa companhia de uma pessoa, Muhammad ﷺ respondeu “sua mãe” três vezes antes de dizer “seu pai”. A prática nos países de maioria muçulmana varia enormemente, e muita coisa defendida como islâmica é costume local que contraria a religião; casamento forçado e crime de honra são os exemplos de sempre, e as fontes citadas aqui os nomeiam assim. Cobrir a cabeça, o hijab, é obrigação religiosa no entendimento majoritário, e as mulheres ouvidas nessas fontes descrevem usá-lo como decisão que tomaram, não como decisão tomada por elas.

Existem muçulmanos no Brasil e em Portugal?

Sim, em comunidades pequenas e antigas. No Brasil, a presença mais antiga vem dos malês, africanos escravizados que em 1835 protagonizaram uma revolta em Salvador. As comunidades de hoje se formaram sobretudo com a imigração síria e libanesa a partir do fim do século XIX, com mesquitas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu. Em Portugal, boa parte da comunidade chegou com a descolonização, e Lisboa tem uma mesquita central.

Como posso saber mais?

Leia o Alcorão em tradução, de preferência mais de uma, e veja o que o texto faz em vez do que dizem que ele faz. Este site indica traduções em várias línguas com o nome de quem as fez. Se preferir conversar, a maioria das mesquitas recebe visitantes e responde perguntas sem cobrar nada em troca.

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